Nas primeiras páginas de A Máquina do Tempo, o protagonista descreve
suas concepções quadrimensionais de espaço-tempo:
Parece-me
claro – disse o Viajante no Tempo – que qualquer objeto real deve se estender
em quatro direções: ele deve ter Altura, Largura, Espessura e... Duração. [...]
Existem na verdade quatro dimensões, três que constituem os três planos do
Espaço, e uma dimensão adicional, o Tempo (WELLS, 2010, p.18).
Com essa passagem podemos abordar o período histórico de transição da
chamada Física Clássica para a Física Moderna, além do fato do livro ser
lançado em 1895 já com a ideia do tempo como quarta dimensão, 10 anos antes de
Einstein publicar seu artigo. Isso deve ao fato de estudos anteriores de
Poincaré e Lorentz, que levou Einstein a realizar seus postulados. Quando um
conceito está inserido num contexto histórico o aprendizado acaba tornando-se
mais fácil do que apenas o conceito isolado.
Na Teoria da Relatividade Especial, não existe espaço e tempo separados,
eles agora formam o chamado de espaço-tempo.
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| Figura 01. O tempo como quarta dimensão |
O início dos anos 1900 foi um marco para a Física, pois juntamente com
Einstein surge Max Planck com a ideia dos “quanta” – tratando a luz como
pacotes de energia, revolucionando os conceitos da Física, entrando em um campo
totalmente desconhecido, a Física Quântica. Isso foi uma motivação para uma nova teoria: A
mecânica de Isaac Newton estava bem estabelecida nas suas três leis e,
juntamente com a eletrodinâmica e a termodinâmica, a física parecia completa.
Entretanto, existiam problemas que tal mecânica não conseguia explicar. Surge
então a necessidade de ver a mecânica de uma nova forma, e Albert Einstein cria
a Teoria da Relatividade Especial (ou restrita) em 1905, propondo assim novos
conceitos sobre espaço e tempo, sendo este último tratado agora como uma nova
dimensão.
Uma famosa inconsistência da mecânica clássica (newtoniana) mostrou-se
no eletromagnetismo, pois as equações não eram invariantes, mediante às
transformações de Galileu:
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| Figura 02. Transformações de Galileu |
O referencial em azul se move com velocidade v, na direção-x, em relação
ao referencial em preto. A transformação de Galileu nos mostra que o tempo
transcorrido de um evento arbitrário é o mesmo para qualquer referencial, isto
é, na mecânica newtoniana todos os observadores são simultâneos. Voltando ao problema clássico, como as leis físicas devem valer em
qualquer referencial inercial, tal como o eletromagnetismo, uma alternativa
usada para explicar essa inconsistência foi o fato de que as ondas
eletromagnéticas (a luz, por exemplo) propagavam-se num referencial privilegiado,
um meio que preenchia todo universo denominado éter.
Um meio
material que se move com velocidade v em relação ao éter seria capaz de
arrastar o mesmo. Assim, o problema do eletromagnetismo estaria resolvido, pois
não depende mais de referencial, já que se propaga em um privilegiado. Porém,
em 1887, os físicos A. A. Michelson e E. W. Morley questionaram a existência do
éter, realizando um experimento que ficou conhecido como a Experiência de
Michelson – Morley, tratava-se de medir a velocidade da terra em relação ao
éter. No experimento, temos uma fonte que
emite um feixe de luz concentrado, no qual é dividido em dois, no divisor de
feixe. Eles seguem direções perpendiculares, onde são refletidos por espelhos,
chegando ao detector. Se existisse o éter, haveria uma diferença no tempo de
percurso dos feixes. Porem, observou-se que não houve essa diferença. A partir
disso desprezou-se a ideia da existência do éter.


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